A SIEP é uma publicação trimestral de divulgação dos principais indicadores estatísticos sobre emprego público.
Nesta edição da SIEP divulgam-se os dados de emprego e remunerações recolhidos através do Sistema de Informação da Organização do Estado (SIOE) para o setor das Administrações Públicas, com referência ao 2.º trimestre de 2026. É igualmente disponibilizado um capítulo de indicadores estatísticos de síntese sobre emprego e remunerações no universo das empresas públicas, demais pessoas coletivas públicas e outras entidades públicas que compõem os subsetores das sociedades não financeiras e financeiras do setor público.
1. EMPREGO
A 30 de junho de 2026, o emprego no setor das administrações públicas situou-se em 768 378 postos de trabalho, o que corresponde a um aumento homólogo de 1,0% (+7 390 postos de trabalho) e a um acréscimo de 0,1% (+895 postos de trabalho) face ao trimestre anterior. Em comparação com 31 de dezembro de 2011, início da série, registou-se um aumento de 40 677 postos de trabalho (+5,6%).
Em termos homólogos, o aumento do emprego público resultou sobretudo do crescimento na administração central (+4 144 postos de trabalho) e na administração local (+3 606), enquanto as administrações regionais dos Açores e da Madeira e os fundos de segurança social registaram diminuições. O acréscimo ficou a dever-se principalmente às carreiras de técnico superior (+2 854), de enfermagem (+1 009), das Forças Armadas (+974), de educadores de infância e docentes do ensino básico e secundário (+788) e à carreira médica (+673).
Na administração central, o aumento face ao 2.º trimestre de 2025 (+0,7%) concentrou-se sobretudo nas áreas da Educação, Ciência e Inovação, da Saúde e da Defesa Nacional. Na Educação, Ciência e Inovação, o aumento de 3 118 postos de trabalho verificou-se sobretudo na carreira de assistente operacional (+1 070), de educadores de infância e docentes do ensino básico e secundário (+876), e na carreira de docente do ensino universitário (+662) e na carreira de técnico superior (+587). Na Saúde, o aumento de 3 068 postos de trabalho refletiu principalmente o reforço das carreiras de enfermagem (+858), médica (+701) e assistente operacional (+501). Na Defesa Nacional, o acréscimo de 863 postos de trabalho ocorreu quase integralmente nas carreiras das forças armadas (+981), sobretudo praças.
Na administração local, a variação homóloga positiva (+2,5%) resultou sobretudo do aumento do emprego nos municípios e nas freguesias. Nos municípios, o acréscimo de 2 507 postos de trabalho decorreu principalmente do reforço das carreiras de técnico superior, assistente técnico e assistente operacional (+1 132, +573 e +411, respetivamente). Nas freguesias, o aumento de 531 postos de trabalho ficou a dever-se sobretudo aos representantes do poder legislativo e de órgãos executivos e à carreira de assistente técnico (+367 e +90, respetivamente).
Face ao trimestre anterior, o emprego nas administrações públicas aumentou 895 postos de trabalho, impulsionado sobretudo pela administração local (+961). Neste subsetor, o acréscimo verificou-se principalmente carreiras gerais nos municípios: assistente operacional (+445 postos de trabalho), técnico superior (+197) e assistente técnico (+101).
Na administração central, o acréscimo trimestral foi de 103 postos de trabalho, destacando-se sobretudo o aumento na área governativa da administração interna (+1 217 postos de trabalho), com origem no recrutamento de vigilantes da floresta na GNR para as operações de prevenção de incêndios durante o verão, bem como do maior número de agentes da PSP, e a diminuição nas áreas governativas da educação, ciência e inovação (-899 postos de trabalho, decorrente do final do ano letivo) e da defesa nacional (-547).
Outros indicadores de emprego
Em 30 de junho de 2026, a estrutura do emprego no setor das administrações públicas mantinha-se inalterada face ao trimestre anterior: 74,4% dos trabalhadores encontravam-se em entidades da administração central, 19,0% na administração local, 5,3% na administração regional e 1,3% nos fundos de segurança social.
O emprego nas administrações públicas representava 7,1% da população total (rácio de administração), 13,5% da população ativa e 14,2% da população empregada, refletindo uma ténue diminuição do peso do emprego público na população ativa e no mercado de trabalho face ao trimestre anterior (-0,1 p.p. e -0.2 p.p., respetivamente).
No 2.º trimestre de 2026, o peso dos postos de trabalho nas administrações públicas ocupados por mulheres diminuiu ligeiramente, representando 17,2% da população ativa feminina e 18,3% da população empregada feminina do país, face a 17,3% e 18,6%, respetivamente, no trimestre anterior.
No final do 2.º trimestre de 2026, a taxa de feminização nas administrações públicas manteve-se em 63,0%. Com exceção da administração local, onde se situou em 47,7%, todos os subsetores apresentaram taxas superiores à média da população ativa (49,3%). Os fundos de segurança social registaram a taxa mais elevada (82,1%), seguidos da administração regional da Madeira (69,0%), da administração central (66,2%) e da administração regional dos Açores (66,0%).
No trimestre em análise, a taxa de feminização nas administrações públicas foi mais elevada no grupo de pessoal de saúde, exceto médico (83,6%). Seguiram-se os grupos e carreiras de assistente técnico, pessoal docente, pessoal de justiça, técnico superior, magistrados e médicos, todos com taxas superiores à média das administrações públicas (63,0%).
Nos grupos de pessoal bombeiro/polícia municipal, forças armadas e segurança, informática e representantes do poder legislativo e executivo, as mulheres representavam menos de 30% dos trabalhadores.
A 30 de junho de 2026, quase dois terços dos trabalhadores das administrações públicas (64,4%) integravam as carreiras gerais — 170,8 mil assistentes operacionais, 92,2 mil assistentes técnicos e 88,4 mil técnicos superiores — ou a carreira de docente da educação pré-escolar e dos ensinos básico e secundário (143,3 mil). No seu conjunto, as carreiras com maior número de trabalhadores representavam 86,3% do total do emprego nas administrações públicas.
Quanto à distribuição por grandes grupos de atividade económica, a 30 de junho de 2026 o emprego nas administrações públicas repartia-se entre Administração pública e defesa; segurança social obrigatória (39,7%), Educação (33,9%), Atividades de saúde humana e ação social (22,8%) e outras atividades (3,6%).
2. REMUNERAÇÕES
Em abril de 2026, a remuneração base média mensal dos trabalhadores a tempo completo no setor das administrações públicas situou-se em 1 967,4€, o que corresponde a uma variação trimestral de +2,9%, face a janeiro de 2026, e a uma variação homóloga de +5,6%. Esta evolução refletiu, em conjunto, a atualização da retribuição mínima mensal garantida (RMMG) para 920,00€ e da base remuneratória da Administração Pública (BRAP) para 934,99€, bem como a aplicação das medidas de valorização remuneratória aprovadas para os trabalhadores em funções públicas e os efeitos da entrada e saída de trabalhadores com diferentes níveis remuneratórios.
O ganho médio mensal nas administrações públicas foi estimado, para abril de 2026, em 2 342,0€, traduzindo uma variação trimestral de +2,7% e uma variação homóloga de +5,5%. Em termos homólogos, esta evolução resultou do aumento da remuneração base média mensal e das componentes do ganho, como subsídio de refeição, suplementos regulares e pagamento por horas de trabalho suplementar.
Autoria: DIOEP/DGAEP
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